Agilidade x Qualidade no Jornalismo


Em um momento onde qualquer pessoa com um celular e acesso à internet vira “gerador de conteúdo”, vivemos dias de muita informação e ao mesmo tempo de nem sempre muita credibilidade. Entendo que estamos envoltos em uma linha tênue entre a agilidade e a qualidade dos materiais jornalísticos que circulam especialmente na Rede Mundial de Computadores.

Este cenário nos obriga, enquanto profissionais de comunicação, a se apegar a factualidade. Obviamente que se por um lado isso deixa o consumidor da notícia informado de forma mais rápida sobre um fato ou serviço, por outro a apuração pode ser mal feita e acontecer uma divulgação de notícia que não seja verdadeira, haver exageros e até puras mentiras, mesmo que não intencionais.

Estão ficando para trás os tempos em que se passavam dias, ou até semanas, construindo uma matéria, com isso alguns conteúdos vão ficando cada vez mais superficiais. Cabe ressaltar que pelo que tenho visto esse fenômeno ainda não atingiu em cheio os veículos de comunicação aqui da região, embora já se possa perceber alguns episódios onde a “sede por likes” fala mais alto e vemos legítimas aberrações jornalísticas circulando por aí. Quando isso acontece não é somente o veículo que perde, mas sim a sociedade, que fica informada “pela metade” e até em alguns casos ainda mais confusa, e com isso literalmente desinformada.

Claro que a agilidade é importante, mas não há nada melhor que uma boa apuração, que uma notícia com embasamento e digo mais: Que mesmo com embasamento, seja didática e que não tenha muitos “enfeites”. Usei o termo enfeites pois vemos alguns episódios em que o conteúdo é tão fraco que se usam de artifícios de linguagem desnecessários, parte-se para uma exagerada utopia sobre fatos reais e que se explicam por si só. Tudo isso porque a apuração foi apressada.

Um ponto positivo é que como estamos muito próximos de nossas comunidades, de nossos leitores, ouvintes, internautas, etc., sempre que alguma “mentira” for divulgada, alguém saberá e haverá um debate.  Justamente neste momento de debate que se revelam as posturas dos profissionais, pois entendo que se uma notícia é questionada e o jornalista autor tem argumentos para explicá-la, defendê-la, é a comprovação que agiu dentro do que se espera de um profissional ético, ou seja, apurou todos os aspectos da matéria, não foi leviano.

Este artigo não é uma crítica a qualquer veículo ou profissional de comunicação, mas sim uma reflexão, superficial (até porque se fosse entrar no caráter técnico, seriam semanas elaborando algo entendível) sobre o quanto a atuação jornalística vem sofrendo de adaptação diária e também uma autocrítica sobre essa delicada relação entre a agilidade e qualidade daquilo que é a missão essencial de quem está do lado de cá: INFORMAR COM QUALIDADE.

Até a próxima!