Imprensa ou palanque político?

Há um certo tempo venho notando como a imprensa, especialmente os pequenos veículos, as vezes mais servem de palanque para alguns políticos do que transmissores de informação verdadeira. Caso que não é de hoje, mas que aos poucos está diminuindo.

Gosto de exemplificar minhas conversas e nesse caso quero expor o caso das rodovias da região, especificamente a RSC-153 e ERS-332, cujo estado dispensa apresentações. Neste sentido, já perdi a conta de quantas entrevistas, e-mails, notas à imprensa foram feitas por políticos e integrantes de órgãos governamentais prometendo uma solução, e até agora? absolutamente nada.

Não sou capaz de julgar se é ineficácia ou má fé destes, mas é inegável que se usam da imprensa para passar uma imagem de que “está tudo bem, que tudo será resolvido” e etc. Por consequência, ficamos nós, do lado cá, ou seja a imprensa, como propagadores de falsas notícias. Em suma, por mentirosos.

É necessário também fazer uma meia culpa, pois em alguns casos para se manter uma relação amigável e até por interesses comerciais, se deixa de “apertar” veementemente estas autoridades. Se dá espaço para falarem e aparecerem da forma que quiserem. Se é errado ou não, não cabe a mim dizer, mas fica a indagação, haja visto que a população depois cobra também da imprensa a concretização dos sucessivos e vultosos anúncios feitos.

Citando um outro caso, há poucos dias presenciei uma declaração enfática e necessária de um colega, o decano da imprensa local como assim o chamo. Trata-se de Paulo Borges, que em determinada reunião colocou a necessidade de uma entidade apresentar um relatório sobre emendas parlamentares recebidas. Isso porque reiteradas vezes foram anunciados recursos para instituições e uma parte, ou nada não foi paga, ou seja: Os palhaços da imprensa deram espaço para a promoção de um ou outro político que só fez discurso, porque de ação concreta, pouca coisa ou quase nada saiu do papel.

Por isso se revela a necessidade de mostrar os descompassos entre a fala e a ação, entre o discurso e a realidade. Tenho absoluta certeza que a população espera de nós (me incluo em tudo isso) um perfil de jornalismo de serviço, que seja uma espécie de “memória coletiva” para que não fiquemos só no discurso de alguns “profetas do desenvolvimento”.

São atitudes como essa que me animam e dão a certeza que caminhamos para um perfil mais crítico, do que “promocional” da nossa competente imprensa de Soledade. As demandas e povo da região agradecem. Só assim, com imparcialidade, iremos separar “o joio do trigo”.

Até Mais!

A polêmica na divulgação de nomes

DO LADO DE CÁ DA IMPRENSA

O acesso das pessoas às ferramentas de comunicação dia a dia tem gerado debates sobre a atuação dos profissionais de jornalismo em diversas áreas, a principal e mais comentada é a policial.  Inicio minha participação neste espaço para expressar minha humilde opinião (suscetível a erros) sobre o tema, o qual é rotineiro aqui na redação.

O que poucas pessoas sabem, ou querem entender, é que há sim regras, há limites e eles variam de empresa para a empresa, ou seja, está certo quem divulga, está certo quem não divulga. O que diferencia, são as consequências que essa divulgação gera para os veículos e para os profissionais. Até os estudiosos, tanto do direito como do jornalismo afirmam que este é um tema amplo e difícil de responder.

Vamos ao direito, afinal é na área jurídica que muitos desses casos vão parar. A imprensa soledadense é prova disso.

Cabe destacar que segundo a Constituição, todos são inocentes até se provar o contrário. Compreenda que então, a presunção de inocência é a regra. Qualquer pessoa suspeita, frente a esse raciocínio, é inocente até haver uma comprovação de fato em contrário. Então, expor a imagem de um suspeito através de meio de comunicação vai significar um início de julgamento. Ou seja, salvo casos onde há uma confissão, ou algo oficial que comprove a culpa, qualquer divulgação é prematura, e passível de uma ação judicial.

Sejamos diretos: Soledade embora tenha veículos de comunicação tradicionais, todos são de pequeno e médio porte, sendo que com base em dados obtidos em decisões judiciais, a média financeira de uma ação de responsabilidade civil ou dano moral ligado do direto de imagem, circula no valor de R$ 30mil. Isso mesmo, 30mil, e devido ao tamanho dos veículos de comunicação do município, o que já comentei acima, isso poderia inviabilizar algumas empresas, ainda mais em tempos de crise, onde a área da comunicação (publicidade) amarga dias ruins. Quem está do lado de cá sabe do que falo.

Óbvio que é entendível a curiosidade das pessoas, até o senso de “justiceiro” que alguns têm, mas volto a dizer: HÁ LIMITES. A capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros também é levada em conta. Te convido a pensar comigo: se você fosse preso, ou envolvido em qualquer situação não favorável a sua pessoa, ia desejar que fosse publicado nome, foto e qualquer outro dado?  A reposta fica por sua conta, mas não vale aquela velha afirmação “comigo isso nunca vai acontecer”, pois, nem tudo depende da gente.

Vamos a um caso prático: um acidente de trânsito, onde você mesmo sem ter culpa alguma terá seu nome publicado e pessoas farão juízos, emitirão opiniões diferentes a respeito da situação, uns a favor e outros contra. Esse é um dos ônus da publicação.

A imprensa não é totalmente livre, e muito menos omissa, como por exemplo quando há um interesse coletivo, exemplificado geralmente em publicação referente a um suspeito ou acusado. Nesse caso, cabe a autoridade competente autorizar a publicação de nome, sobrenome, e mesmo fotos. Repito: cabe a autoridade competente.

Encerro mais uma vez reafirmando que, mesmo com a ansiedade de o público querer saber, a cautela, o bom senso e a ética profissional devem predominar. Ressalto que estão certos quem publica e quem não publica e o leitor/ouvinte pode escolher que veículo pretende ter acesso a informação. A diversidade de meios, ferramentas e empresas de comunicação permite isso a sociedade, bem como também permite ao cidadão criticar a atuação destas empresas, o debate é salutar. Que bom que ele existe!

Até a próxima.