Pobreza nos discursos e na mente regional

Tenho certeza que muitos, ou a maioria, dos que leem este post já ouviram alguma liderança local ou regional proferir um discurso evidenciando que somos uma região pobre, que carecemos de investimentos, que temos desemprego, que não temos estradas e mais um monte de casos e condições negativas. Claro, isso não deixa de ser verdade.

Porém, acompanhando a repercussão de um evento em uma região próxima, em um município menor, me surpreendeu o otimismo de suas lideranças. Nas falas, a positividade está presente. Óbvio que são reconhecidas as dificuldades, mas em menor proporção em relação aquilo que se tem de bom no município e na região. E acreditem: isso é bonito de ouvir, gera um clima generalizado de otimismo, de positividade.

Todos os dias estamos cercados de notícias tristes: guerra, mortes, corrupção. Mas não bastando isso, ainda há quem faz questão de exaltar as carências diárias, que prefere o discurso da pobreza em vez do discurso de soluções para mudar este cenário. Há lideranças que se gabam daquilo que é ruim, e pelo que se tem percebido, esse discurso não tem “colado”, pois mesmo há anos batendo na mesma tecla, o volume de avanços político-sociais em nossa região ainda é ínfimo.

Ah, esse discurso precisa ser permanente, não apenas em momentos de festa, onde se opta por colocar aquilo que não é bom “para baixo de tapete” e alguns dias depois tudo volta ao normal, ou seja: ao discurso do nada tem, nada pode, nada acontece. Precisamos lembrar que a liderança é fundamental, precisamos de líderes. Necessitamos de gente que em suas falas e ações desperte o entusiasmo, impulsione o otimismo coletivo.

Como que se quer atrair investimentos de empresas, por exemplo, se só se fala que não temos estradas, que o povo não gosta de trabalhar, que “não tem futuro”? Acredito que precisamos mudar um pouco estas falas, não apenas lideranças, mas também o nosso povo. Nós – pois me incluo nisso – precisamos voltar a acreditar. Ou ao menos fazer as outras pessoas acreditarem. Precisamos mudar isso, definir se somos otimistas convictos ou fracassados assumidos.

Até a próxima.

O jornalismo explicativo

É interessante estar próximos dos ouvintes e leitores, a tal ponto que eles se sentem à vontade de perguntar sobre algum assunto, ou termo abordado em alguma matéria. Ao mesmo tempo, esse tipo de situação é momento de recolher dados para que possamos aprimorar nossa atividade, sendo que recentemente tive a oportunidade de debater com uma internauta sobre termos “técnicos” usados em matérias.

Tal debate foi fantástico, pois me levou a pensar sobre a importância de descomplicar ao máximo alguns assuntos para que possamos informar da maneira mais objetiva possível. Não é de hoje que observo profissionais (inclusive eu em certos momentos) que ficam presos ao termo técnico e esquecem que o objetivo é fazer com que o público entenda a notícia. Em um momento de crise econômica, isso tornou-se bem perceptível, pois coube a nós do jornalismo levar, por exemplo, ao o seu João, que mora lá no interior, uma informação clara sobre o porquê que um escândalo em Brasília influencia no preço do insumo que ele compra para seus animais. Não amigos, isso não é tarefa tão fácil.

Da mesma forma, tenho a convicção de que todo jornalista, deve ter como base de seu trabalho esse “senso explicativo”, pois a nossa atuação atinge uma gama enorme de pessoas, de diferentes perfis e níveis de compreensão. Ou seja, no mesmo instante que um chefe de governo tem acesso a uma matéria, este mesmo texto pode ser lido por um estudante da quarta série do ensino fundamental, e é preciso que ambos o compreendam, se não o tema em seu contexto, ao menos o que está exposto na matéria.

Também tem colega que gosta de falar difícil, é o tal do impressionismo. Na minha modesta opinião, existem formas e mais formas de se falar ou escrever, vai do bom senso do profissional. Às vezes, “MENOS É MAIS” e é preciso dizer que falar de forma simples não significa falar errado. Desde os mais simples termos, como por exemplo: Em vez de usar COLIDIU, dá para usar BATEU. Óbvio que é mais simples, óbvio que pode “tirar o charme” do texto, mas isso depende de cada situação, pois julgo que a credibilidade de um profissional ou de um veículo de comunicação, também está em suas capacidades de explicar o mundo para os diferentes públicos que acessam, leem ou ouvem suas matérias.

Até a próxima!

O jornalismo e o suicídio

Os mais novos no jornalismo, assim como eu, vão concordar quando digo que uma das primeiras lições que se aprende na redação, é a seguinte: Não se noticia suicídio.  Este é tema antigo e histórico e, embora alguns avanços na abordagem, o assunto segue sendo um tabu.

O objetivo deste espaço não é ser externamente técnico, mas entendível para quem é da imprensa e para a sociedade como um todo, por isso é preciso estabelecer um paralelo:

– Particularmente, enquanto cidadão, acho a divulgação de suicídios algo extremamente desnecessário, sensacionalista e até vexatório, mas há pessoas que chegam a procurar, hoje na internet, notícias sobre isso. Há quem é mais mórbido, e em certas situações aborda profissionais da imprensa para saber “como tudo aconteceu” e se “tem fotos”. Minha posição não trata-se de julgamento, mas sim de um relato sobre um triste, mas existente, perfil de pessoas que se comportam de tal forma. Tragicamente há quem “saboreie a destruição do outro como um espetáculo”, como afirmou o autor Baudrilard em meados de 1996.

Do ponto de vista profissional, lembro que embora o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros não trate especificamente do tema suicídio, há menção sobre a não veiculação de informações de caráter pessoal, mórbido ou sensacionalista. Acho que aí se enquadra o suicídio, pois é mórbido, e trata-se de um ato íntimo de alguém, embora o impacto não se restrinja a uma única pessoa.  A afirmação mais usada para a não publicação do tema é que isso pode incentivar outras pessoas a também cometerem ato contra a própria vida. Até existem alguns estudos sobre o assunto.

Também há uma linha de pensamento de que o suicídio é uma epidemia silenciosa, e que sendo o jornalismo um espaço que serve de “espelho da sociedade” é necessário a abordagem do assunto, de forma preventiva.

Analisando a nossa realidade, constato que a imprensa, no geral atua na seguinte linha: Contrária a divulgação de suicídios, exceto em casos onde a pessoa é uma figura pública ou o caso gera grande repercussão, envolvendo outras pessoas ou situações.

Confesso que ainda há muita dúvida sobre o tema, pois um fato como esse pode apenas ser a ponta de um iceberg. Exemplificando: Um suicídio pode ser o desfecho de uma história, a qual poderia ser jornalisticamente investigada. Fazer isso ou não?

A resposta para esta pergunta fica à cargo de cada profissional, de cada veículo. Observando que a ética, e o bom senso devem prevalecer. Portanto, há de se fazer um exame de consciência sobre oque noticiar um fato como esse representa para o profissional, para a empresa de comunicação, para a família de quem se suicidou e para a sociedade.

Até Breve.

Gisele, Gabriela e Rayne: a Corte que abraçou a imprensa!

Ainda cansado, mas feliz com o resultado da EXPOSOL, quero compartilhar com vocês um fato que acredito que seja quase unanimidade entre os profissionais da imprensa que atuaram na Feira deste ano: A SATISFAÇÃO COM O TRABALHO DA CORTE.

Há quem pense que somente a beleza seria pressuposto para ser soberana, mas na EXPOSOL, além de um rigoroso concurso, que é coordenado brilhantemente pelo Grupo Ciranda, quem acompanha de perto a organização e a realização da feira, sabe o quanto essas meninas se dedicam em tudo que são solicitadas. Obviamente que não falo em nome de todos os colegas, e também tal artigo não é nenhum demérito ao trabalho das cortes anteriores.

Até aí nenhum fato novo, porém neste ano pudemos perceber intensamente uma espontaneidade e dedicação da rainha Gisele Berticelli, e das princesas Gabriela Vidaletti Loureiro e Rayne dos Santos Conte, e especialmente o respeito que tiveram pelo posto que estavam ocupando. Entre as milhares de selfies, abraços e entrega de lembranças ao público presente na feira, as meninas não perderam o sorriso no rosto. Demonstravam motivação, humildade e dedicação.

Acredito que todas as meninas que fizeram parte da corte ao longo das edições da EXPOSOL sabem o quanto isso impacta suas vidas. Na última entrevista que fiz com Gisele, Gabriela e Rayne, percebi que desde os mais simples momentos estavam vivos na lembrança delas. Também impossível não registrar as declarações feitas como de gratidão por tudo que vivenciaram nesse período e ainda o recado que cabe as próximas soberanas: “honrar a coroa, o cargo e dedicarem-se ao máximo para bem representar a feira e o município”. Também relatam que se impressionaram ao ver o prestígio e a credibilidade que a feira tem por todo o RS, o que aumenta ainda mais a responsabilidade.

Tecnicamente falando, a atuação da corte perante a imprensa foi exemplar, pois atenderam as solicitações feitas, expressaram-se de forma clara e especialmente, criaram com os profissionais uma relação de parceria, de amizade que levaremos como marca extremamente positiva.

Meninas: a corte de vocês literalmente abraçou a imprensa, e neste momento de despedida fica também nosso abraço de carinho, admiração e respeito por tudo que fizeram ao longo do período que coube a vocês representar a nossa EXPOSOL. Embora a coroa já esteja, merecidamente, sob responsabilidade da nova corte, as de 2017 deixam um “ponto brilhante” nas matérias, fotos, áudios e todo material produzido pela imprensa.

Agilidade x Qualidade no Jornalismo

Em um momento onde qualquer pessoa com um celular e acesso à internet vira “gerador de conteúdo”, vivemos dias de muita informação e ao mesmo tempo de nem sempre muita credibilidade. Entendo que estamos envoltos em uma linha tênue entre a agilidade e a qualidade dos materiais jornalísticos que circulam especialmente na Rede Mundial de Computadores.

Este cenário nos obriga, enquanto profissionais de comunicação, a se apegar a factualidade. Obviamente que se por um lado isso deixa o consumidor da notícia informado de forma mais rápida sobre um fato ou serviço, por outro a apuração pode ser mal feita e acontecer uma divulgação de notícia que não seja verdadeira, haver exageros e até puras mentiras, mesmo que não intencionais.

Estão ficando para trás os tempos em que se passavam dias, ou até semanas, construindo uma matéria, com isso alguns conteúdos vão ficando cada vez mais superficiais. Cabe ressaltar que pelo que tenho visto esse fenômeno ainda não atingiu em cheio os veículos de comunicação aqui da região, embora já se possa perceber alguns episódios onde a “sede por likes” fala mais alto e vemos legítimas aberrações jornalísticas circulando por aí. Quando isso acontece não é somente o veículo que perde, mas sim a sociedade, que fica informada “pela metade” e até em alguns casos ainda mais confusa, e com isso literalmente desinformada.

Claro que a agilidade é importante, mas não há nada melhor que uma boa apuração, que uma notícia com embasamento e digo mais: Que mesmo com embasamento, seja didática e que não tenha muitos “enfeites”. Usei o termo enfeites pois vemos alguns episódios em que o conteúdo é tão fraco que se usam de artifícios de linguagem desnecessários, parte-se para uma exagerada utopia sobre fatos reais e que se explicam por si só. Tudo isso porque a apuração foi apressada.

Um ponto positivo é que como estamos muito próximos de nossas comunidades, de nossos leitores, ouvintes, internautas, etc., sempre que alguma “mentira” for divulgada, alguém saberá e haverá um debate.  Justamente neste momento de debate que se revelam as posturas dos profissionais, pois entendo que se uma notícia é questionada e o jornalista autor tem argumentos para explicá-la, defendê-la, é a comprovação que agiu dentro do que se espera de um profissional ético, ou seja, apurou todos os aspectos da matéria, não foi leviano.

Este artigo não é uma crítica a qualquer veículo ou profissional de comunicação, mas sim uma reflexão, superficial (até porque se fosse entrar no caráter técnico, seriam semanas elaborando algo entendível) sobre o quanto a atuação jornalística vem sofrendo de adaptação diária e também uma autocrítica sobre essa delicada relação entre a agilidade e qualidade daquilo que é a missão essencial de quem está do lado de cá: INFORMAR COM QUALIDADE.

Até a próxima!

Imprensa ou palanque político?

Há um certo tempo venho notando como a imprensa, especialmente os pequenos veículos, as vezes mais servem de palanque para alguns políticos do que transmissores de informação verdadeira. Caso que não é de hoje, mas que aos poucos está diminuindo.

Gosto de exemplificar minhas conversas e nesse caso quero expor o caso das rodovias da região, especificamente a RSC-153 e ERS-332, cujo estado dispensa apresentações. Neste sentido, já perdi a conta de quantas entrevistas, e-mails, notas à imprensa foram feitas por políticos e integrantes de órgãos governamentais prometendo uma solução, e até agora? absolutamente nada.

Não sou capaz de julgar se é ineficácia ou má fé destes, mas é inegável que se usam da imprensa para passar uma imagem de que “está tudo bem, que tudo será resolvido” e etc. Por consequência, ficamos nós, do lado cá, ou seja a imprensa, como propagadores de falsas notícias. Em suma, por mentirosos.

É necessário também fazer uma meia culpa, pois em alguns casos para se manter uma relação amigável e até por interesses comerciais, se deixa de “apertar” veementemente estas autoridades. Se dá espaço para falarem e aparecerem da forma que quiserem. Se é errado ou não, não cabe a mim dizer, mas fica a indagação, haja visto que a população depois cobra também da imprensa a concretização dos sucessivos e vultosos anúncios feitos.

Citando um outro caso, há poucos dias presenciei uma declaração enfática e necessária de um colega, o decano da imprensa local como assim o chamo. Trata-se de Paulo Borges, que em determinada reunião colocou a necessidade de uma entidade apresentar um relatório sobre emendas parlamentares recebidas. Isso porque reiteradas vezes foram anunciados recursos para instituições e uma parte, ou nada não foi paga, ou seja: Os palhaços da imprensa deram espaço para a promoção de um ou outro político que só fez discurso, porque de ação concreta, pouca coisa ou quase nada saiu do papel.

Por isso se revela a necessidade de mostrar os descompassos entre a fala e a ação, entre o discurso e a realidade. Tenho absoluta certeza que a população espera de nós (me incluo em tudo isso) um perfil de jornalismo de serviço, que seja uma espécie de “memória coletiva” para que não fiquemos só no discurso de alguns “profetas do desenvolvimento”.

São atitudes como essa que me animam e dão a certeza que caminhamos para um perfil mais crítico, do que “promocional” da nossa competente imprensa de Soledade. As demandas e povo da região agradecem. Só assim, com imparcialidade, iremos separar “o joio do trigo”.

Até Mais!

A polêmica na divulgação de nomes

DO LADO DE CÁ DA IMPRENSA

O acesso das pessoas às ferramentas de comunicação dia a dia tem gerado debates sobre a atuação dos profissionais de jornalismo em diversas áreas, a principal e mais comentada é a policial.  Inicio minha participação neste espaço para expressar minha humilde opinião (suscetível a erros) sobre o tema, o qual é rotineiro aqui na redação.

O que poucas pessoas sabem, ou querem entender, é que há sim regras, há limites e eles variam de empresa para a empresa, ou seja, está certo quem divulga, está certo quem não divulga. O que diferencia, são as consequências que essa divulgação gera para os veículos e para os profissionais. Até os estudiosos, tanto do direito como do jornalismo afirmam que este é um tema amplo e difícil de responder.

Vamos ao direito, afinal é na área jurídica que muitos desses casos vão parar. A imprensa soledadense é prova disso.

Cabe destacar que segundo a Constituição, todos são inocentes até se provar o contrário. Compreenda que então, a presunção de inocência é a regra. Qualquer pessoa suspeita, frente a esse raciocínio, é inocente até haver uma comprovação de fato em contrário. Então, expor a imagem de um suspeito através de meio de comunicação vai significar um início de julgamento. Ou seja, salvo casos onde há uma confissão, ou algo oficial que comprove a culpa, qualquer divulgação é prematura, e passível de uma ação judicial.

Sejamos diretos: Soledade embora tenha veículos de comunicação tradicionais, todos são de pequeno e médio porte, sendo que com base em dados obtidos em decisões judiciais, a média financeira de uma ação de responsabilidade civil ou dano moral ligado do direto de imagem, circula no valor de R$ 30mil. Isso mesmo, 30mil, e devido ao tamanho dos veículos de comunicação do município, o que já comentei acima, isso poderia inviabilizar algumas empresas, ainda mais em tempos de crise, onde a área da comunicação (publicidade) amarga dias ruins. Quem está do lado de cá sabe do que falo.

Óbvio que é entendível a curiosidade das pessoas, até o senso de “justiceiro” que alguns têm, mas volto a dizer: HÁ LIMITES. A capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros também é levada em conta. Te convido a pensar comigo: se você fosse preso, ou envolvido em qualquer situação não favorável a sua pessoa, ia desejar que fosse publicado nome, foto e qualquer outro dado?  A reposta fica por sua conta, mas não vale aquela velha afirmação “comigo isso nunca vai acontecer”, pois, nem tudo depende da gente.

Vamos a um caso prático: um acidente de trânsito, onde você mesmo sem ter culpa alguma terá seu nome publicado e pessoas farão juízos, emitirão opiniões diferentes a respeito da situação, uns a favor e outros contra. Esse é um dos ônus da publicação.

A imprensa não é totalmente livre, e muito menos omissa, como por exemplo quando há um interesse coletivo, exemplificado geralmente em publicação referente a um suspeito ou acusado. Nesse caso, cabe a autoridade competente autorizar a publicação de nome, sobrenome, e mesmo fotos. Repito: cabe a autoridade competente.

Encerro mais uma vez reafirmando que, mesmo com a ansiedade de o público querer saber, a cautela, o bom senso e a ética profissional devem predominar. Ressalto que estão certos quem publica e quem não publica e o leitor/ouvinte pode escolher que veículo pretende ter acesso a informação. A diversidade de meios, ferramentas e empresas de comunicação permite isso a sociedade, bem como também permite ao cidadão criticar a atuação destas empresas, o debate é salutar. Que bom que ele existe!

Até a próxima.